sábado, 26 de julho de 2008

Viver ou estar sóbrio?

Bom não quero transmitir um manifesto contra toda as drogas licitas e inlícitas do mundo, não adiantaria muito, com esse texto só quero transmitir a pessoas "normais" a minha doença, sim não sou só mais um no mundo, alias nunca fui, sou portador de uma doença chamada alcoolismo, associada a uma dependência química, ou seja eu era um usuário de álcool e drogas abusivo e compulsivo.
O alcoolismo e a dependência química são doenças lentas, progressivas e incuráveis, ou seja uma vez com ela, sempre com ela. Lenta porque ela não mata a pessoa portadora em um curto espaço de tempo, no meu caso isso duro 10 anos aproximadamente, progressiva que ela não começa de forma fulminante, mas seu uso começa num grau pequeno e acaba num estágio de degradação que um ser humano, por pior que ele seja, não merece viver.
Portadores dessa doença não são vagabundos, nem nada do genero, eles apenas não conseguem parar de usar uma substância por motivos orgânicos, não é canalhice da pessoa usuária compulsiva usar até não poder mais. Costumo dizer que não somos culpados da nossa doença mas somos responsáveis pela nosso tratamento.
Alguns que vão ler isso não vão entende porra nenhuma, pois mantive meu aninomato por muito tempo, mas alguma coisa hoje em mim, que não está sendo um bom dia, fez eu escrever isso, que espero ajudar alguém que tenha esse problema consigo ou com algum parente ou conhecido para poder auxiliar e lhe dar toda uma infraestrutura psicológica ou até mesmo médica se necessária.
Vou conta resumidamente minha história, mesmo sabendo que alguns já sabem, conviveram ou eu contei.
Nos meus 13 anos de idade comecei a fumar maconha, já era usuário de álcool, como todo o jovem gostava de toma um porre. Mas isso foi ficando complicado, a ponto que fui conhecendo outras drogas como cocaína, nesse "estágio" da minha doença me tornei uma pessoa arrogante, e totalmente popular, afinal eu era o mais loco, sai comigo era garantia de no mínimo sai bêbado. Enfim não acabo por aí, conheci um novo "mundo" festas raves, e drogas novas, LSD, Bala, cogumelos, etc. Aí sim, uma oportunidade que esperei com muita fé, vender drogas, ganhar muito dinheiro e entrar na faculdade. Bom foi exatamente isso que aconteceu, até que eu conheci uma nova droga, essa por sua vez torno minha vida um inferno, me destruiu mentalmente e fisicamente, o tal de Crak, que hoje em dia é uma epidemia social no Brasil. Sim o que vocês vêem na "tv" é a mais pura verdade, comigo não foi diferente, todo dinheiro que eu ganhava antes como "traficante" de drogas da classe superior, eu gastei no crak, alias não contente com isso, eu acabei vendendo um carro, um apartamento completo, minha vida, só não vendi minha alma porque já não valia nada. A ponto que não tinha mais dinheiro para sustentar meu vício, e eu que não sou uma pessoa de classe financeira baixa, comecei a roubar, roubei da família, namorada, enfim fazia de tudo para não parar de usar. Até que um dia quando vi que se continuasse assim eu iria parar num dos três "c" que existe nessa doença, cadeia, clínica e cemitério. Desses "três c" eu já passei por 2, e se eu não parasse eu iria para o ultimo, mas a ficha caiu e resolvi ir para o segundo. Assim com muito sofrimento, com um processo de tráfico na minha fixa criminal dentre outros tantos, me rendi e aceitei minha doença, perdi a pessoa pela qual eu vivia por ela, mas a partir dai eu nunca mais usei nada, nem vinagre.
Hoje em dia eu tenho carro novamente, tenho uma casa, com comida, um banho e uma cama confortável toda a noite, sem esquecer do carinho de uma família.
Espero que com esse texto posso ajudar a meus semelhantes que assim se caracterizem, que possam vir a tomar uma atitude para mudar seu destino que com essa vida não vai ser o que você desejava.
Graças a Deus eu posso dizer que hoje, eu tenho domínio da minha vida, que hoje eu sou um ser humano, antes eu era um drogado em decomposição, hoje sou um dependente químico em recuperação, agradeço pelo tempo de vocês que desperdiçaram para ler esse texto.

Um comentário:

Môni disse...

Muito bom o texto, parabéns! Espero que outros dependentes tomem a mesma atitude que tu tomou!
Continue assim
Beijo;*